Quando amanheceu e eu ainda estava aqui. E a frieza que me
era costume derretia aos pouquinhos, em mais um desses processos demorados
da vida. Era ela me dando mais uma chance. Desperdiçar? Quando a esperança bate
na porta toda risonha e o amor lhe é mostrado. O coração lhe mostra o novo
caminho, e depois de tanto tempo parado, estático no mesmo lugar, sem nem ao
menos sentir por completo, vivendo pela metade, a alma passa a dar seus
primeiros passos em direção à vida. E já dá pra ver ali na frente, as pequenas
alegrias me a aguardam, como crianças saltitantes que não conhecem preocupações
maiores que a da escolha da próxima brincadeira. É a vida. E eu estou voltado à
ela. Como um filho que se perdeu, e agora experimenta a doce visão do seu lar
novamente. Delicio meus olhos agora. Descobri que perspectiva é um trem
curioso, sabe? Quando estendi meus braços à ajuda, e fui erguida, vi novamente
a beleza das coisas e das formas. A graça dos olhares. E daí, percebo, que não tem como odiar a vida.
Porque ela possui tantas faces quantas temos capacidade de enxergar, e quem
escolhe o que enxergar nela sou eu.
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