quinta-feira, 12 de março de 2015

Fim

Cheguei em casa hoje, e liguei a TV, coisa que há muito não fazia com finalidade de assistir alguma coisa por mais que 5 minutos. O filme era Uma prova de amor, aquele da mocinha que foi concebida pra que a primogênita da família fosse salva. E senti uma pontinha de curiosidade pra saber o que eu escreveria sobre o assunto. E não, não falarei sobre Eutanásia. De assuntos polêmicos já basta o facebook! Falarei sobre fim, o nosso fim, no qual pertencemos. Ontem enquanto andava eu pensava em caminhos. Pensei em nós, em mim e em você, e em como cada um é um caminho diferente, fazendo escolhas diferentes, sendo sensível, chato, alegre, feliz em níveis e em datas diferentes. Mas todos findaremos. Somos estradas com direção incerta. E tudo finda no abismo dos olhos fechados, dos batimentos cardíacos enfraquecidos, d´alma despojada, de lágrimas à mostra. Somos tão bobos que não conseguimos lidar com isso, com o fim. É. A gente nasce achando que sempre haverá o amanhã. E não haverá. "Tudo é passageiro", muitos falam, mas não aplicam esta lei divina à si. Daí aquele oco, aquele vazio que surge em nossas mentes quando repetimos essa frase, é por que a gente não se conforma, é informação demais pro nosso intelecto. Entender isso é como dizer "Tudo é passageiro. E eu sou passageiro. E meu amor, ele também passa." Então deixamos que fique vago mesmo, para que este absurdo não se infiltre em nossos dias, em nossas andanças. Mas é por que é como remédio mortífero, é como saber aquilo que te traz para a realidade mais dura e cruel possível. Somos todos passageiros. Estamos nesta vida à passeio. E não vou iniciar outro parágrafo te aconselhando a aproveitar a vida da melhor forma possível, que ser feliz é pra hoje e amar é pra sempre. Só estou aqui pra te lembrar que você e eu, amigo, somos nada. Nós não vivemos nada, não sabemos nada, não fazemos nada, nós somos nada. Tudo o que fazemos, tudo o que sabemos gira em torno desse monte de nada ambulante e -principalmente- linguarudo, que vagueia por aí achando que sabe alguma coisa, achando que pode alguma coisa. Não existe essa coisa de que todos somos passíveis de erro, como se fizéssemos algo certo que possa substituir a grandeza na nossa pequenez, da nossa infinita ignorância. Tudo o que temos é a vida, e não possuí-mo-la com mérito, muito menos por longo tempo. Ela é nossa, até que a sua vontade diga o contrário, e então ela se vai. E então, tudo se vai, e nós vamos, pra nunca mais voltar. Essa é a única certeza universal, nosso destino não é glorioso, simpático ou no mínimo bonito, nosso destino é o nosso fim.

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