terça-feira, 12 de maio de 2015

Grito

"Estou tentando ser bem honesto
To dizendo tudo o que eu penso
Tão sabendo que eu te peço Deus

Venha o Teu reino
Bem dentro e lá fora
A Tua vontade
Pra sempre e agora
Pois tenho fome
Do pão desse dia
Daquilo que é só Teu"

Passa o tempo, as horas e as eras. Passa a curta vida, sem sentido e sem rumo. Vem e vão reinos. Passos ao nosso redor, são dados apressadamente. Como se as pessoas tivessem controle sobre tudo o que acontece debaixo do manto da alma, como se soubessem o que se passa, como se soubessem do que a alma quer ser saciada. Será que estamos deixando de lado tudo aquilo que precisa ser centro? Será que estamos dando importância à futilidade? Colocamos valor em inverdades, apostamos nossas fichas em incompletas palavras de realidade e amor. Estamos nos entregando a tão pouco? Mergulhando no mar raso? Abandonando aquilo que nos é por inteiro, abandonando a alma? Sim, estamos. Estamos nos ocupando com a futilidade nossa de cada dia. Esquecendo dos passos lentos, do livre pensar. Estamos presos às correntes da inverdade de nossas próprias palavras, nos abrigando nas seguras grades do comodismo da infelicidade. Que preguiça é essa de mudar?! Medo do novo? Medo das feridas. Mais fácil viver de tanques rasos de indelicadeza. Nos falta a beleza dos olhos nos olhos. Das histórias contadas pelos nossos velhos, o valor das rugas e dos fios brancos no cabelo. Onde? Em que ponto, perdemos nossos valores mais simplórios? Onde foi que deixamos a beleza dos primeiros passos da vida, para nos ocuparmos com nossas rotinas enchidas de nosso ego, da nossa vulgaridade, da nossa individualidade? Onde estão as mãos estendidas? O sorriso aberto? A alma livre, cheia de poesia e vida pra dar? Onde estão os caminhos que se cruzam? Estamos na era do cada um por si. Sempre foi assim? Existe alguém que lê isso com os olhos e escuta com a alma? Este é o meu grito por hoje. A minha alma, grita hoje. Basta de tanta futilidade, tanto individualismo. Chega da cegueira conveniente, para aquilo que lateja no mundo a dor do desprezo, do pouco caso. Olhemos para o lado hoje. Não se trata de auto realização. Se trata de humanidade. Será que ainda somos capazes de entender essa palavra, e a sermos com a alma e não só com as mãos? Será que ainda não perdemos àquilo que nos faz inteiros naquilo que sentimos? Será que ainda somos capazes de amar sem “poréns”, sem porquês, sem apesares, sem pesares?


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