quinta-feira, 16 de abril de 2015

Das coisas que existem

Existe no jeito que você pousa seus olhos nos meus, a ternura de alguém que já não sabe o que inventar pra me fazer sentir em casa. E no sorriso, existe nos olhos quase fechados a cumplicidade eterna, não me pergunte, eu apenas sei. Existe aquele meio sorriso que você me dá quando ouve o que não sabe responder direito, um sorriso sob o efeito, talvez, de absorção das minha palavras, que não cansam de tentar te mostrar que o que eu sinto é mais forte do que eu.
Eu quase sempre sei como vou começar um texto, no entanto raramente sei do seu final. É um viagem que Deus me dá, assim de presente, talvez pelo cansaço de me ver no marasmo dessa vida, sem a minha, a minha escrita. É porque, dela sou feita, junto do barro e do pó, e das células e órgãos, alma e coração. Diz: "Ok, filha, expresse a vida". E eu tento. As vezes consigo, as vezes não. Quase sempre só escrevo besteiras de quem não sabe nada. Mas é porque eu pouco sei mesmo, e como poderia escrever com amor, de coisas que jamais minha alma sentiu o gosto?
Eu estou de olhos bem abertos e atentos, tudo o que nos acontece me leva a um caminho. E enquanto lentamente eu ando,deixo meus olhares analíticos. Descuido meu. Amor seu. Que me deixa deslocada, me coloca num sorriso sem tamanho, me traz paz. Adoto postura de quem aprecia a viagem, hoje. Sorrio como quem observa a paisagem. Como quem está ali, porque escolheu estar ali, escolheu amar tudo o que viria após, disposta a amar a vida a dois. E disposição é uma palavrinha mágica nesses caminhos de mãos dadas. Aquela coisa de abrir mão, de estar, de ficar, de se importar. E calmamente assisto o tempo passar, enquanto encontramos a forma-exata?- de levar a vida. Enquanto construímos a estrada da nossa vida.
E agora somos nós. Somos nós, amigo. Somos nós, amor. Nós e Deus. E a nossa vida será, sempre, agora, uma lenta caminhada, com destino certo, e no entanto, o caminho há de se traçar com dedos guiados pelo coração, pela alma que se nos deixa levar. É assim que vou, assim que vamos. Assim, agora, e sempre, não existo. Agora, existimos. E é indubitavelmente melhor existirmos em conjunto. Me deixa aos sorrisos, saber que seremos assim por toda a nossa vida.

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